A QUARTA DOS CARIOCAS
06/05
Ao Vasco faltou pouco para a classificação. Fico imaginando quem desligou o rádio ou a TV, ao fim do primeiro tempo, imaginando que estava tudo perdido, com o Vasco precisando de mais três gols e com um homem a menos.
Foi um segundo tempo de arrepiar. Tivesse o Vasco um homem-gol, se não desperdiçasse tantas chances, e o time faria o placar de que precisava. Vitória justa, eliminação injusta.
Em Porto Alegre, o jogo foi até corrido. Mas pra quem precisa fazer gols, o Fluminense criou pouco no primeiro tempo. O Grêmio, com o resultado do jogo de ida, debaixo do braço, podia dar-se ao luxo de fazer o mesmo.
Na etapa final, houve equilíbrio nos primeiros minutos, mas o Grêmio partiu pra cima, garantindo vitória incontestável, merecida.
No primeiro tempo, o Flamengo foi dominado, não porque o Corinthians estivesse extraordinariamente bem, mas porque tinha muito espaço.
Com a vantagem que conseguiu no Rio, o Flamengo até poderia esperar pelo Corinthians e partir nos contra-ataques. Isso é clássico no futebol.
O que não pode é se encolher demais.
Junte-se a isso as falhas do zagueiro David nos dois gols. No primeiro, em conjunto com Bruno; no segundo, David marcou a bola e Ronaldo, com "trezentos quilos", nem saiu do chão, cabeceando sozinho.
No segundo tempo, ao adiantar o time, o Flamengo equilibrou as ações. E abandonando a lentidão, acelerando o jogo, chegou rapidamente ao gol, que mudou a história da partida.
Sobre o duelo dos artilheiros: Adriano mais uma vez apagado; Ronaldo muito mais participativo, bem longe do vexame do Maracanã.
GANSO CANTOU DE GALO
03/05
Estou muito curioso para saber como vai ficar o ambiente na Vila Belmiro nos próximos dias.
Há um senso comum de que o treinador do Santos, Dorival Junior, errou várias vezes ontem, na decisão do campeonato paulista e que teria se acovardado, recuando demais o time e correndo sério risco de perder o título.
Bom, o Santos foi campeão e isso parece perder um pouco a importância.
Mas eu acho que não é bem assim.
A imagem que fica é a de um jogador de vinte anos, Paulo Henrique Ganso, peitando o técnico, dizendo que não seria substituído de jeito nenhum.
Pra muita gente boa foi mais uma episódio de genialidade do maior talento da nova geração do nosso futebol. Ao ver que o treinador errava, Ganso se rebelou a fim de corrigir o equívoco do chefe.
Mas e agora? Como é que fica?
Quem manda no time?
É só isso?
Ou terá desdobramentos? A moda vai pegar?
Eu me pergunto: se o Santo André tivesse feito mais um gol e fosse campeão, Ganso seria herói?