MÍDIAS SOCIAIS: JÁ OUVIU FALAR?
16.04.2010
Se você gosta de Twitter, Orkut, Facebook, Msn, ou Blog, assim como eu, mude seus conceitos quando pensar que está passando tempo demais em frente ao computador. Essa “brincadeira” pode se tornar uma coisa bem mais lucrativa e séria do que se imagina.
O assunto hoje são as chamadas “Mídias Sociais”. O termo ainda é novo e os cursos também. Basta dizer que ainda não nem uma habilitação específica para esse estilo de “comunicação” nos cursos universitários. Mas não se assuste com o “neologismo”. Trabalhar com “mídias sociais” é justamente fazer isso que muita gente faz e que eu faço também: administrar contas, perfis, usuários de pessoas públicas ou de empresas em geral.
Foto: ilustrativa / internet
Hoje o mercado está mais atento a essas novas modalidades de contato com o cliente, contato com o consumidor. Para mostrar o que isso significa, vou dar um exemplo sem sair de casa: eu, por exemplo, administro duas contas de Twitter, uma pessoal e outra do “RJ Record”. No Orkut o trabalho ainda é maior: são três perfis. Um outro ainda leva meu nome no Facebook. Fora isso os textos são diários e constantes aqui no nosso blog. O que significa isso além de pelo menos uma hora e meia em frente ao monitor por dia? Massagem no ego? Exibicionismo? Publicidade gratuita?
Quem responde “sim” para qualquer uma destas perguntas ainda está na década passada. Muita gente ficaria impressionada ao saber a quantidade de denúncias, queixas, flagrantes e contatos que fazemos por meio destes mecanismos de internet. Isso é “mídia social”: quando o “telespectador-leitor-internauta” consegue falar diretamente e de forma mais ágil direto com a assessoria de imprensa de uma empresa, fabricante, rádio, televisão, artista ou com o apresentador de um programa, que é o meu caso. A única diferença é que eu não pago ninguém para fazer isso. Se pagasse eu já estaria gerando um emprego nessa nova área: as “mídias sociais”.
Foto: ilustrativa / internet
E já que o assunto é a internet mesmo, para terminar, sugiro uma busca rápida no Google sobre o que eu estou falando. Você pode se surpreender com a quantidade de cursos e treinamentos na área que já são oferecidos. Grave bem o que estou falando: essa é uma nova fronteira profissional que começou a se abrir nos Estados Unidos, Europa e agora já é visto com mais profissionalismo no Brasil.
Foto: ilustrativa / internet
Portanto se você, seu filho ou algum colega fica tempo demais em frente ao computador pense duas vezes antes de chamar o coitado de “viciado” ou “rato de internet”. Na verdade ele pode estar ganhando bem mais dinheiro que você...
Bom fim de semana!
Divirta-se com responsabilidade... mesmo na internet!
Fábio Ramalho
MSN: a única ferramenta que eu não uso na rede. Foto: ilustrativa / internet
TROTE: BRINCADEIRA QUE MATA
14.04.2010
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 15/04/2010 ÀS 14h07
Aproveitando o título da postagem original: reagir a um assalto não é brincadeira e também mata. A história polêmica do "RJ Record" desta quarta-feira foi essa. A reação de um homem que, durante um assalto acabou tomando a arma da mão do bandido e matando-o. Só que esta reação - mesmo em legítima defesa - acabou se transformando em três dias atrás das grades para a vítima! Ele foi preso acusado de homicído. E aí?
A polícia recomenda nunca se reagir. A única exceção - aí por minha própria conta e risco de dizer - vale para policias. Olha, quando bandido percebe que tem policial (seja civil ou militar) entre as vítimas, não perdoa. É assassinato na certa.
Foto: ilustração / internet
Mas a pergunta que me faço é: será que na hora do pânico não é quase que instintiva a atitude de algumas pessoas ao reagir? Com a resposta você, leitor!
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POSTAGEM ORIGINAL:
Será que agora vai virar moda? Trotes não são eventos novos e desconhecidos para a Polícia Militar. Mas nos últimos dois dias a ousadia de quem gosta dessa brincadeira perigosa e absurda chegou ao extremo. Ou alguém que fazer muita chacota com a polícia carioca ou a tática pode ser bem outra: levar a polícia para uma localidade e deixar outra livre para a ação de bandidos.
Um dos destaques do “RJ Record” de ontem foi o trote que mobilizou mais de 100 homens da PM na Tijuca. Em uma ligação feita para o 190, a voz era de um homem, adulto, falando corretamente, porém com muito nervosismo. A voz dava conta de um assalto com reféns em um prédio residencial no bairro. Foi o caos... e tudo era trote.
Mobilização e trote: trabalho inútil para a polícia.
Hoje pela manhã, já cheguei ao trabalho com a notícia de uma bomba na frente da Embaixada de Venezuela. Quem deixou o tal pacote lá, ainda se deu Ao trabalho de escrever na embalagem “isso é uma bomba”. Lá foi o esquadrão anti-bombas, viaturas, homens vestidos com aquelas roupas que mais parecem coisa de astronauta. O suposto explosivo foi detonado e a surpresa: dentro dele, muitas pilhas e peças de informática para deixar o artefato com mais cara de bomba de filme de espionagem.
Bilhete com aviso: "isso é uma bomba". Foto: Agência "O Dia".
Lembro-me claramente de uma reportagem que fiz em Brasília, exatamente sobre o mesmo problema: os trotes. Só que neste caso havia um preso. O rapaz se entregou após passar um trote para aos bombeiros, comunicando um falso acidente. Era só para ser “divertido” ver os bombeiros saindo do quartel, disse o rapaz de 19 anos com mentalidade de 9 anos.
O que ele não contava era que, poucos minutos depois, um parente dele que voltava do trabalho de carro, sofreu um grave acidente do outro lado da cidade satélite onde tudo aconteceu. Só havia uma ambulância que, conseguindo socorrer o acidentado a tempo, lhe salvaria a vida. Mas que saber a ironia do destino? A ambulância não pode chegar à tempo. Estava atendendo a tal “ocorrência” falsa que o rapazinho esperto havia comunicado.
Se você estiver se perguntando porque ele, além de perder um cunhado ainda foi a delegacia se entregar, eu explico: foi a consciência que o obrigou a delatar o erro dele mesmo: falsa comunicação de crime, que pode render até 5 anos de prisão.
Identificador de chamadas: arma contra os trotes.
Essa não é uma dessas “lendas urbanas”. Isso realmente aconteceu. Acreditando que nada passa impune eu me pergunto: qual seria a reação dos “brincalhões” de plantão aqui do Rio ao lerem uma história como esta? A polícia, que não é boba nem nada, tem os números de onde vieram os dois trotes aqui do Rio. Ingenuidade pensar que não haveria identificador de chamadas na central do 190, né?
Se você tem filhos pequenos, adolescentes em casa, converse! Mostre esse texto a eles, conte sobre essa triste tragédia pessoal de quem fez da brincadeira “inocente” uma sentença de morte para alguém da própria família. A orientação ainda é o melhor remédio.
Traquinagem de criança não tem nada a ver com crime. E eu que achava que o máximo da molecagem na minha infância era tocar a campainha do vizinho e sair correndo...
O QUE A CÂMERA NÃO MOSTRA
12.04.2010
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 13/04/2010 às 14h04
Os mais antigos da minha família tem um ditado que traduz bem o que o Rio de Janeiro está vivendo: "Além da queda o coice!". A situação da greve dos rodoviários ontem - e que ainda trouxe reflexos hoje - foi um verdadeiro fiasco para complicar ainda mais a vida de quem mora no Rio depois das chuvas. Uma greve política, motivada pro um desentendimento dentro do sindicato da categoria.
Está na hora de rodoviários do Rio reverem quem são seus reais representantes e mais: dos representantes legítimos prestarem bem a atenção em que está se passando por "agitador" de movimentos grevistas não legítimos.
Congestionamento: mais carros nas ruas por causa da greve. / Foto: R7
O saldo ontem foi de 12 mil pessoas sem ônibus, justamente numa segunda-feira. O que motorista e cobrador tem que ver é que quando entram em uma greve como esta, que já nasce morta, estão enfraquecendo seu poder de barganha e de negociação.
E olha que de necessidades de condições melhores de trabalho para rodoviários eu entendo: não há uma única semana que não tenhamos um flagrante de violência à bordo dos coletivos, com assaltos, onde vale até o uso de bazuca para roubar pouco mais de 200 reais...
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POSTAGEM ORIGINAL:
Hoje nossa rotina começa a voltar ao normal. Mas para quem mora em áreas atingidas pelas chuvas a “rotina” ainda é uma palavra distante. Tudo ainda é desencontrado e o relato que tenho aqui não é técnico, muito menos informativo com costumo fazer no ar. O que conto agora é experiência pessoal.
A TV em alta definição ainda não alcança dor, emoção, muito menos o cheiro que exala o Morro do Bumba, em Niterói. Além de ver a dor das pessoas, ainda é preciso lidar com o efeito “choque”. Entrevistei pessoas que sorriam diante da câmera falando de mortes. Frieza? Certamente não. O caso é que, para muita gente, a “ficha ainda não caiu” em relação a tudo que foi perdido.

Bombeiros observam corpos mutilados. / Foto: Marcos de Paula.
Quando perdi meu pai, logo após o enterro, fui direto para a casa onde ele morava em Brasília. Para mim parecia que tudo era um pesadelo que iria acabar. Em casa, sentado na cama dele, imaginava que a qualquer momento ele entraria pela porta. Esse foi o meu efeito da “ficha que não caiu”. Agora me pego imaginando a situação de pessoas que não tem nem a casa para onde voltar depois de um enterro da família toda de uma única vez.
Uma menina que entrevistei sorria porque estava diante de uma câmera. No meio da entrevista perguntei se ela conhecia alguém do morro. Ela respondeu afirmativa: “sim, o meu namorado morreu na tragédia e o corpo ainda não foi encontrado.” Na hora, com câmera ligada e tudo, perguntei: “e você está me contando isso rindo?” Na hora o sorriso dela se fechou. Fiquei com minha consciência pesada pela pergunta, me senti cruel. Não era maldade da adolescente: era o tal do efeito da “ficha que não caiu”.
Retirada de corpo no Morro do Bumba, em Niterói. / Foto: Eduardo Naddar - "O Dia".
Todos naquele lugar são vítimas de um mal maior que a tragédia. São vítimas da falta de acesso à informação, à renda e a uma vida mais digna. Gente que comprou uma casa por 26 mil reais e agora só vê lama onde a construção ficava. Poucos são os que dizem que sabiam que no Bumba havia algum risco de deslizamento ou que sequer tinham conhecimento de que no alto do morro já havia funcionado um lixão.
Agora os corpos se misturam ao lixo. Seis dias depois da catástrofe muitos deles já estão como todo o material que foi enterrado: deteriorados. A identificação começa a tender ao impossível. É chocante e forte falar sobre isso, mas é um enfoque que precisa ser exposto: agora o que se encontra são pernas, braços... corpos mutilados. Muitos pais reconhecem seus filhos com rostos desfiguradas. A frágil pele humana não resiste ao leito de um terreno que já é um adubo por si só.
Retirada dos corpos e emoção de parentes. / Foto: Eduardo Naddar / Agência "O Dia"
Em uma das cenas que presenciei, um bombeiro tentava puxar um cadáver da lama pelos braços. Tudo que ele conseguiu resgatar foram justamente os braços que se soltaram como num apelo tardio por redenção. Cenas fortes, impossíveis de serem narradas na televisão. São histórias que não tenho a menor vergonha de contar: me levaram às lágrimas em vários momentos dessa cobertura. Por que contar aqui então? Não é morbidez! Queria que gerações e gerações de prefeitos que passaram por Niterói - muitos deles já mortos e enterrados com mais dignidade - pudessem ver o que eu vi. Queria ver lágrimas nos rostos deles com esse relato.
O povo do morro do Bumba morreu tratado pelos nossos governantes exatamente como tratamos o que os cobriu até a asfixia total de suas esperanças.