Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010
VOCÊ PAGA AS CONTAS, O RIO PAGA "MICO"
26.03.2010

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O que acontece com nossos serviços públicos? Essa é a pergunta que venho recebendo paulatinamente de telespectadores e, hoje, esse questionamento também bateu à porta da minha casa!

CEDAE - Foi a síndica quem tocou o interfone para fazer um apelo: que como jornalista eu tentasse agilizar um atendimento da CEDAE. A empresa promete ir até o edifício desde segunda-feira para verificar um problema de falta de abastecimento. O meu é o único prédio da rua inteira que está sem água e ninguém pode fazer nada até que a CEDAE “dê as caras” para analisar o que esta acontecendo. Só que a CEDAE, com um prazo de 72 horas para mandar equipe ao local, já completa suas quase 170 horas sem sequer dar uma resposta! A pergunta que martela na minha cabeça é: que tipo de serviço público precisa de “influência” dentro da empresa para se conseguir o básico? Que tipo de serviço temos onde o pagamento da conta em dia não é o suficiente para ser atendido com agilidade? Pelo que eu sei, não há concorrência no setor para que amanhã eu “puxe o cano” de outra empresa de abastecimento.

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Torneira seca: reclamação encabeça e-mails recebidos da Baixada. / Foto: "Wordpress".

CORREIOS - Outro campeão são os Correios. Outro dia uma telespectadora me parou na rua para dizer que a conta de telefone dela aumentou por causa do carteiro! Mas como assim? O que o telefone tem a ver com os Correios? Simples segundo ela: todo mês, é preciso ligar para todos os cartões de crédito, bancos e credores, para apurar valores e códigos de barra, para pagar tudo em avulso! Gasta-se mais com telefone para se livrar das multas porque raro é o documento que chega em dia atualmente. Perguntinha: os Correios enviam cartas, contas e encomendas de graça? É um favor? O Sedex 10 - menina dos olhos da empresa - está simplesmente suspenso em várias cidades. Faltam funcionários e concurso público só em maio. Planejamento virou carta sem CEP: volta por insuficiência de endereçamento...

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Atrasos nas contas: carteiros já foram ameaçados de morte em comunidades. / Foto: R7

LIGHT - A empresa de luz é um caso à parte que dispensa comentários. O centro do Rio de Janeiro viveu nos últimos meses uma sucessão de apagões e cortes. As zonas sul e norte não escaparam. Todo verão é a mesma coisa e a desculpa também é a mesma: “houve um aumento no consumo e a rede não suportou a sobrecarga”.  Esse então deve ter sido o primeiro verão do Rio de Janeiro... eu que não percebi.

 

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Rio: centro à luz de velas por 4 noites e orla durante "apagão". / Fotos: Agência "O Dia".

TREM - Hoje começou a caça ao incendiário anônimo do trem. A novela “Chamas da Vida” já acabou, mas ainda assim a busca é por quem incendiou um vagão na estação de Saracuruna. Longe de justificar aqui a atitude de vândalos (sim, isso é vandalismo!) a explicação veio à tona em uma vistoria feita ontem mesmo: falta manutenção porque faltam funcionários qualificados e, por tabela, os trens param. Outro serviço púbico que entra para lista do “será que é de graça?” 

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Fogo no trem: R$ 5 mil de recompensa para que denunciar "incendiário". / Foto: R7.

 

E aí, hien?    
 

Minha conclusão: o carioca está pra lá de acostumado que as coisas por aqui só se resolvem no “jeitinho brasileiro”. É isso que me revolta e me faz, as vezes, mais carioca do que muita gente que nasceu aqui. Não aceito essa banalização da violência, da falta de qualidade em serviços públicos. Quisera eu que fosse o único a passar por este tipo de problema. Os e-mails reclamando exatamente dos mesmos problemas citados acima abarrotam nossas caixas de e-mail!

Aproveitando que AMANHÃ é o dia da “Hora do Planeta”, vou sugerir mais que apagar as luzes das 20h30 às 21h30. Vou sugerir que também não abramos nossas torneiras, não usemos os telefones, celulares, rádios, enfim; todo e qualquer serviço público que não atenda satisfatoriamente seus clientes.

Pode ser simbólico, mas sem boicote o problema não será apenas o aquecimento global. No meu caso o aquecimento “das idéias”; a revolta de pensar que nossas contas estão pagas, mas os serviços públicos por aqui só “pagam mico”. 

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TRÁFICO: SAI UM ENTRA OUTRO...
24.03.2010

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ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 25/03/2010 às 13H32

Destaque para dois comentários que mostram como nosso blog é eclético: seja de qual classe social for, local de moradia ou escolaridade, quem lê e comenta aqui sabe do que está falando. Veja só que metáfora interessante do Rubens Miranda.  

"Caro Fábio, a morte de Roupinol e o título-tema dessa sua nova postagem, me transporta à mitologia grega, acerca da hidra de Lerna. Serpente monstruosa da mitologia grega, a Hidra tinha sete, nove, cem ou mais cabeças. Quando um herói qualquer tentava cortá-las, da parte decepada brotavam mais duas cabeças, novinhas! Para evitar que isso acontecesse, era necessário atear fogo à parte cortada imediatamente. A hidra vivia nos campos próximos a Lerna, nas vizinhanças de Argos. O herói Hércules a matou e usou o sangue dela para embeber suas flechas, tornando-as mortíferas. O tráfico de drogas e seus chefões se assemelham ao trabalho hercúleo do Estado, da Polícia e dos cidadãos de bem, que lutam diuturnamente contra esse monstro de muitas cabeças e facetas, as drogas. Uma verdadeira -hidra de Lerna-, de várias cabeças, que morta uma delas, logo outra surge no lugar. Assim também o tráfico, morto um de seus chefes, certamente outro assumirá, desencadeando seu rastro sinistro de vício e violência. Triste realidade." - Rubens Miranda / RJ  

Esse outro também merece destaque pelo ineditismo. Metáfora aqui? Que nada! O "papo é reto" e direto no comentário que vem de uma leitora chamada "Maria", que não deu mais explicações do porquê dizer isso. Mas vale ler. Veja:  

"Muito traficante te admira, sabia? Muito traficante percebe que você não detona só o crime deles, mas também o crime de quem finge que não vê o que eles fazem. É isso mesmo: tem traficante que nem usa droga proque não gosta. É só profissão, é o negócio. E isso é mais antigo que prostituição." - Maria / RJ 
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Morro da Mineira: uma das comunidades do Complexo do São Carlos. / Foto: R7

 

 

Fico feliz porque o "blog" é para isso mesmo! Colocar a gente em contato direto com quem vê os nossos produtos. Sei que as vezes é chato comentar, que nem sempre o sistema ajuda e muitos comentários acabam perdidos. Mas tem novidades vindo por aí para melhor isso no nosso blog, ok?

 

 

Sobre o cometário da "Maria"... só posso agradecer! Não por ser querido também por "traficantes". Isso não me impressiona, disso não faço questão. Mas fico feliz por perceberem (sendo criminoso ou gente de bem) que nossa função - sem demagogia nenhuma - é dar voz a quem não tem. Mostrar os lados de uma mesma moeda que, contrariando as leis da física, nem sempre são apenas dois.    

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POSTAGEM ORIGINAL:

A vaga está aberta. Ainda não se sabe se será por sucessão, concurso ou indicação por algum tipo de “câmara dos nobres”. Mas o fato é que, mais cedo ou mais tarde, alguém vai ocupar o cargo de "traficante-chefe" do Complexo do São Carlos.

A escolha é delicada porque quem assume leva, de lambuja, a administração da venda de cocaína em Macaé, no norte do estado. “Roupinol” conseguiu o que poucos traficantes conseguiram na história recente do Rio de Janeiro: comandar um império de negócios que movimentava (movimenta?) 1 tonelada de cocaína por mês no interior do estado.

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Identidade de Rogério Rios, o "Roupinol".
Foto: Agência "O Dia".

Foram cinco anos de caçada. Exatamente por isso não acredito que o “mega-traficante” tenha chegado sozinho a este posto máximo na hierarquia do crime nas comunidades. Quando não é caso de corrupção policial - o que prefiro não considerar para a pancada de decepção não ser tão dura - é caso de omissão. Essa é a única opção que me resta.

 Ora, convenhamos: nenhum “empresário” do tráfico chega onde o “Roupinol” chegou da noite para o dia, certo? E não vamos nos cobrir com o discurso demagógico que são apenas os usuários de cocaína que fizeram o “Roupinol” crescer tanto. Este tipo de argumento é o mesmo que dizer que o roubo de carros aumentou porque estamos esquecendo de passar a tranca em nosso veículos!

Controle de criminalidade é simples assim: ou o estado tem ou não tem. Não existe meio termo nem transferência compulsória de culpa. O estado agiu esta semana encontrando um traficante procurado há 1825 dias. O estado age bem quando instala as Unidades de Polícia Pacificadora. Mas os erros, falhas e omissões são reflexos de vários anos de um poder que se mostrava inepto e inapto no combate ao crime organizado.

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Blindado da Polícia Militar - "caveirão" - no Complexo do São Carlos:
operação terminou com a morte do "Roupinol". Foto: Agência "O Dia".

Nenhum traficante se faz trabalhando só com trouxinhas de cocaína. Traficante se faz quando nós somos feitos de trouxa na política do “finge que tem policiamento que eu finjo que acredito.” O remédio tem que ser outro, como as UPP´s que, repito, tem mostrado resultado agora.

O que o Rio precisa é remédio forte, eficaz e até mesmo amargo quando necessário. De preferência remédio sem "traja-preta" como era o caso do tal de "Roupinol".

Para a comunidade fazer comboio para o enterro do traficante é porque algum remédio aplicado por ele sanou pelo menos um dos males que acometem nossas comunidades: o esquecimento do poder público. 

CASO NARDONI: "GRAN FINALE"?
22.03.2010

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ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 23/03/2010 às 13h21

A discussão hoje não é só em torno de Ana Carolina Jatobá (madrasta), nem em torno de Alexandre Nardoni (pai). A decisão da defesa do casal acabou envolvendo uma outra Ana Carolina: a mãe da pequena Isabela Nardoni.

A defesa do casal preferiu pedir que a mãe fique o tempo todo, dentro do Fórum, à disposição do julgamento. Só que para muitos advogado isso pode ser um "tiro no pé".

Será que ter a mãe chorando todas as vezes que  for chamada não acaba influenciamndo os jurados? A grande polêmica é que os jurados podem ser movidos 90% pela emoção condenado o casal. Foi o que disse, agora à pouco, uma psicanalista no "Record Notícias". 

 A PERGUNTA QUE FICA É: 

Na sua opinião manter a mão de Isabela Nardoni "confinada" dentro do Fórum foi um "tiro no pé" por parte da defesa do casal Nardoni?

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Ana Carolina (mãe), e a pequena Isabela Nardoni.
Erro da defesa manter a mãe no Fórum? / Foto: R7.

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POSTAGEM ORIGINAL:

É como aqueles filmes que terminam com a promessa de continuação. Sempre vem o segundo longa-metragem com subtítulo de “a  vingança” ou “a saga continua”. Neste caso ponha o adjetivo “LONGA” em letras maiúsculas: o julgamento do caso Isabela Nardoni começa hoje e tem previsão de só terminar no sábado que vem. Mais uma vez - como não poderia ser diferente -  o circo está montado.

São carros e mais carros da polícia ao lado do Fórum de Santana, em São Paulo. São carros e mais carros de reportagem. Curiosos também chegam a todo momento. Fora os que chegaram cedinho, com cadeira de praia debaixo do braço! É um grande “espetáculo” nesse que deve ser o julgamento mais aguardado dos últimos anos.

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Ana Jatobá e Alexandre Nardoni: únicos suspeitos e acusados pelo crime. Foto: R7. 

Quando se fala em "caso Nardoni", um outro assunto vem à tona: sensacionalismo. Mas será mesmo que é criar “sensações exageradas” mostrar passo-a-passo um julgamento como este? Na minha opinião não é não. O Brasil inteiro quer saber o que vai acontecer com um casal acusado atirar uma criança pela janela de um edifício. O curioso é que os críticos de plantão sempre dizem isso, mas não desgrudam o olhos da tela, do noticiário. Já perceberam? Eles sabem tudo o que é dito, tudo o que é comentado.

O telespectador não é hipócrita: assiste mesmo, acompanha como se fosse novela. Afinal de contas essa é uma história cujo capítulo final pode estar começando a ser escrito! Como vou condenar quem quer saber como isso termina? Como não acompanhar depois de tanta comoção?

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Isabela Nardoni: julgamento hoje, depois de crime em 28 março de 2008. Foto: R7. 

 Eu estou acompanhando e não minto: sou telespectador, como qualquer brasileiro, e quero saber o final dessa história sim. Querendo ou não são casos assim que balizam nossa maneira de pensar; nossa maneira de dizer se no Brasil a justiça é ou não realmente feita. Por isso a responsabilidade de quem está dentro daquela sala é grande.

Eu particularmente acredito que haverá uma condenação. Acho que os advogados de defesa estão no raciocínio de tentar penas menores, amenizar ao máximo a punição de Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá. Uma absolvição, nesse caso, acho que é coisa pouco provável de acontecer.