QUEM VAI BEBER NUMA "BORRACHARIA"?
19.03.2010
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 20/03/2010 às 13H23
Não dá para não destacar mais um dos brilhantes comentários do Rubens e da Jussinéia. Um é crítico de plantão. A outra é professora de espanhol. Dessa mistura sairam dois comentários com o mesmo raciocínio! Dê uma olhadinha:
"Engraçado que, no Sul e hermanos do Mercosul, bêbado ou pessoa que bebe, é chamada de "borracho". Então essa tua borracharia, ao invés de lugar comum para tratarmos dos pneus de carros e de mecânica, trata-se de lugar para borrachos mesmo, ou seja, para pessoas que apreciam o álcool na sua maior essência. Não nos esqueçamos que, se dirigir não beba, se beber não dirija. Ótimo fim de semana Fábio e para todos aqui! Abraços." - Rubens.
"Como sou professora de Espanhol, tive o mesmo pensamento do Rubens: acho que o dono desta "Borracharia" deve conhecer um pouco do espanhol pra ter feito este trocadilho! Muito show! ¿Vamos a nos quedar borrachos en una 'borracharia'? hahaha! Como você vai à minha terra natal, Salvador, e nem me chama pra ir junto? Aqui em SP precisa de um lugar assim, estilo eclético, barato, bebidas diferentes... e por aí vai! Não sei se vou conseguir te perdoar por ter ido e não ter me chamado! Tisc Tisc Tisc ..." - Jussinéia.
É isso aí! Cada um contribui no idioma que pode!
Um abração a todos e bom fim de semana!
Divirta-se com responsabilidade!
Fábio Ramalho
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POSTAGEM ORIGINAL:
Como hoje é sexta-feira, hora de pegar leve nos assuntos mais pesados. Depois de uma semana marcada por passeatas e pela guerra dos Royalties do petróleo, vou falar um um lugar onde o petróleo só interessa mesmo em forma de óleo ou graxa. Coisa mesmo de oficina mecânica e borracharia!
O assunto é esse: uma BORRACHARIA que visitei em Salvador, Bahia, no último fim de semana. Estava só esperando mais uma sexta-feira chegar para contar um pouco dessa experiência diferente que ainda não tinha visto em Brasília, Rio de Janeiro ou em São Paulo. Nada sequer parecido.
Noite na "Borracharia": Cenário diferente entre o dia e a noite. / Foto: internet.
A empolgação é porque a tal "Borracharia", na verdade, é uma “baladinha” - como os paulistas gostam de chamar! O inusitado é a mistura de cenários. Trata-se exatamente de uma “borracharia”, com pneus, câmaras de ar, rodas de carro e muita estopa pelo chão. Só que esse é o cenário durante o dia! À noite... PLIM! Tudo muda e a tal borracharia se transforma em uma boate com muitas luzes, bebida e música de primeira, passando desde pelo “eletrônico-moderno-enlatado” até Raul Seixas e bandas que marcaram as décadas de 70 e 80. Um “mix” de estilos que se reflete também no “mix” de frequentadores. As pessoas que frequentam são das mais diversas idades, preferências musicais. Mas todo mundo com uma coisa em comum: vontade de se divertir.
Para os padrões do sudeste tudo aprece muito barato. Parece, ok? Na verdade aqui no Rio e em São Paulo é que é tudo inflacionado demais. A entrada na “Borracharia” custa 20 reais. Sobre as bebidas, não provei de tudo (senão imagina só...), mas tirei do site da “Veja Salvador” algumas especialidades com preços para borracheiro não reclamar muito. Entre elas há o “busca-vida” (R$ 4,00), mistura de cachaça, limão e mel; e cerveja em lata (R$ 3,00). Para resolver a fome da madrugada, a cozinha prepara sanduíches, como o cheese-salada (R$ 6,00) e caldos de camarão, sururu e polvo (R$ 7,00 cada um). Um privilégio só para o nordeste mesmo...
"Enlatados musicais", Raul Seixas, eletrônico:
toca tudo na "Borracharia". / Foto: divulgação
Resumindo: achei tão criativa a idéia de ser borracheiro durante o dia e “promoter” de balada nas noites, que não podia deixar de contar essa experiência dos criativos donos desta casa. Uma sintonia bacana que resulta numa decoração com obras de artistas locais em telas, esculturas, fotografias e pinturas nas paredes. Tudo em um cenário de luzes coloridas projetadas em pilhas de pneus por todos os lados. A frequência dos moderninhos de Salvador mostra que a idéia colou, que sem solda de borracha quente em pneu furado.
ROYALTY DO PETRÓLEO... O QUE É ISSO?
17.03.2010
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 18/03/2010 às 14h45
Comentário de um telespectador publicado no Jornal EXTRA do último domingo. Saiu na columa "Retratos da Vida".
Meu muito obrigado ao telespectador José Francisco! Meu muito obrigado ao jornal EXTRA que, apesar de ser do grupo concorrente, mostra imparcialidade ao exibir a opinão de quem assiste o jornal! Meu agradecimento ao pessoal da coluna!
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POSTAGEM ORIGINAL:
O nome é complicado e muita gente se pergunta: o que são esses tais de “royalties” do petróleo pelos quais tanto se briga no Rio de Janeiro? Por isso hoje, resolvi fazer um "bê-a-bâ" do que é esse assunto tão árido, que muita gente vem me perguntar o que significa.
Apesar do nome em inglês ser pomposo, o assunto é fácil de entender. “Royalties” são uma espécie de “taxa” que as empresas exploradoras de petróleo - Petrobras, por exemplo - pagam ao município e ao estado onde o petróleo é retirado. Um tipo de “pedágio” para tirar petróleo daquele lugar.
Plataforma em alto-mar: mesmo assim é na costa fluminense.
Foto: Petrobras.
Porque existe o Royalty? - É muito simples e muito lógico. A exploração do petróleo não é uma das atividades mais limpas do mundo. Há poluição compulsória para cada galão desse “ouro-negro” retirado. Praias muitas vezes são comprometidas. O risco de vazamentos e desastres ambientais são sempre uma constante. Isso sem contar que, em estados que tem muita exploração petrolífera - como o Rio - as estradas sofrem com maquinário pesado sendo transportado com frequência. Os “royalties” seriam essa contrapartida para compensar o estrago que a extração deixa.
Como são distribuídos hoje? - Atualmente os “Royalties” ficam para o município onde existe a exploração de petróleo e para o estado que arca com os prejuízos das estradas, por exemplo. Cerca de 7 bilhões de reais por ano que o Rio de Janeiro (estado e municípios produtores) estão com medo de perder.
Como pode ficar? - Pela mudança o dinheiro que entra desses “Royalties” seria dividido ao meio: 50% para TODOS os estados do Brasil e os outros 50% para TODOS os municípios do Brasil. Isso sem levar em conta se são ou não municípios ou estados produtores de petróleo. Vou dar um exemplo: um município do Amazonas - que não tem a menor tradição em petróleo - receberia dinheiro da exploração da bacia de Campos, aqui no estado do Rio.

Imagens ilustrativas: Petrobrás
Quem ganha com isso? - O país inteiro ganha se o Rio perder. Esse é ponto nervoso da questão e que faz o Rio, se mobilizar tanto pela causa. A proposta alternativa que o governador Sérgio Cabral quer emplacar é que essa nova regra até possa valer, mas só para novas áreas de exploração que forem criadas. Nas áreas já existentes ficaria tudo como está.
Quando mudaria? - a mudança depende de uma alteração na constituição, o que se chama “emenda constitucional”. Essa já passou pela Câmara dos Deputados e precisa agora aprovação no Senado. É nessa luta que o governo estadual e de municípios que tem exploração petrolífera no Rio estão agora: evitar que os senadores aprovem.
FILME VIOLENTO FAZ JOVEM BEBER MAIS?
15.03.2010
Que filmes violentos motivam crianças e adolescentes a se tornarem mais agressivos, nenhuma novidade até aqui, certo? Mas um novo estudo mostra que filmes com essa temática também podem influenciar nossos “pimpolhos” a outras atitudes "danosas" digamos assim: beber mais e o pior: mais cedo!
Quem diz isso é a revista científica Prevention Science, que foi assunto de reportagem publicada hoje no R7 que estou “chupetando” aqui. O estudo com 6.522 crianças examinou a relação entre esses “filmes proibidos” e a probabilidade do uso do álcool em função dos diferentes níveis de “busca de sensações”.
Foto: R7
Aliás, como tudo varia de acordo com a quantidade de “novas sensações” que nossos jovens procuram, vamos usar isso como uma escala, ok? A escala “busca de novas sensações”...
Aqueles que naturalmente já são impelidos a buscar “novas sensações” o tempo todo, vão assistir aos filmes com temática proibida e pouca coisa vai mudar: já estão “sedentos” por experiências diferentes independentemente do que assistem nas telinhas ou nas telonas. A pesquisa mostra que eles andam com outros como eles, que estão sempre atrás de comportamentos arriscados. Por isso há menos espaço para que os filmes influam no uso arriscado de álcool.
Mas tem aí o outro lado da moeda! Para aqueles que são mais quietos - normalmente procuram poucas “experiências novas” - os filmes podem trazer um efeito colateral: despertar uma “pulguinha” adormecida que faça o jovem descobrir o que ainda não foi descoberto! Em outras palavras: o filme pode ser a sugestão que faltava para um jovem que nunca pensou em álcool comece a apreciar a “marvada” bebida.

Cena do filme "Kill Bill". Violência na tela faz jovem beber mais? / Foto: divulgação
O médico responsável pelo estudo diz que a mensagem para os pais é clara: “a censura por idade deve ser levada a sério. Os pais não devem permitir que menores de idade assistam a filmes proibidos”.
Acho que eu sempre estive na parcela dos que já buscavam “novas sensações” naturalmente. Nunca me senti diretamente impulsionado a ser agressivo ou a beber por causa de algo que tenha visto na televisão. Não que eu saiba, né? O pediatra que desenvolveu o tema conta que, gente como eu, que acha que não é “influenciável”; talvez seja quem mais tenha absorvido a cultura do “beber, fumar e se rebelar” logo em seguida, na idade adulta.
Isso pode explicar muita coisa... Será?