Ontem foi dada a largada e hoje já estamos no nosso segundo dia de transmissões. A Rede Record e a Record News estão com “time em campo” - ou seria melhor dizer no gelo? – para essa jornada que vai até o final do mês.
Não daria para falar destes jogos de inverno sem citar um problema sério e trágico que aconteceu antes mesmo das competições começarem. Refiro-me ao acidente com o atleta do “luge” que perdeu o controle do trenó - que parece um carrinho de rolimã – e foi arremessado contra uma parede de gelo e depois contra um poste de ferro.
Sequência do acidente. Fotos: Terra
O atleta chamado Nodar Kumaritashvili, de 21 anos, era da Geórgia, uma pequena república que fica entre a Europa e a Ásia. O acidente abriu vários debates sobre a segurança das provas e da pista em questão. Muita especulação foi feita, muita coisa debatida mas, no final, a conclusão foi simples: o erro foi do atleta ao entrar na última curva do circuito.
Vamos combinar: não é novidade nenhuma que descer em um trenó a quase 150 Km/h não é uma das modalidades mais tranqüilas, né? Mas sendo praticado com cuidado e perícia, os riscos são diminuídos. Mas não foi assim no caso do atleta em questão. A versão mais plausível foi essa mesa: houve um erro de avaliação. Durante o Boletim Olímpico que fizemos nesta manhã de sábado, a teoria foi discutida e endossada pelo atleta brasileiro, Diego Bersuc, que é especialista no assunto.
Erro na abertura: um dos 4 totens (esquerda) não "subiu". Foto: Terra
Outro assunto polêmico foi na verdade uma curiosidade: nem tudo saiu como planejado na festa de abertura de ontem. Na hora da tocha olímpica ser acesa, quatro totens deveriam “surgir” do assoalho, se erguendo até a pira principal. Por estes totens subiriam labaredas de fogo, colocadas por quatro atletas que encerrariam a festa. Mas um destes totens não se ergueu por algum tipo de problema hidráulico. Nem por isso os atletas fizeram feio: com “cara de paisagem” a esportista Catriona LeMay Doan, antiga conhecida da patinação de velocidade, fingiu que nada aconteceu quando não viu o totem que ela deveria “incendiar” subindo como os outros. A organização disse que nada saiu errado e deixa isso pra lá...
Olimpíada é assim: sem polêmica não tem graça.
Olimpíada de Inverno é na Record e na Record News.
HELICÓPTERO: QUANDO SOMOS A NOTÍCIA
11.02.2010
Menos de um dia para as Olimpíadas de Vancouver começarem. O momento é de euforia, inquietação... mas também de tristeza. O país inteiro conheceu ontem um drama que, todos nós, funcionários da Rede Record, estamos vivendo: a queda do helicóptero em São Paulo que, assim como o nosso, do Rio de janeiro, vive “girando suas hélices por aí” em busca de imagens e notícias. Poucos poderiam imaginar que nós mesmos seríamos a triste notícia desta última quarta-feira.
O pior sentimento é justamente esse: poderia ter acontecido com qualquer um de nós, inclusive com os próprios tripulantes do “Globocop” que registraram tudo. Nessa hora não há concorrente, não há disputa. São intrépidos pilotos e suas máquinas voadoras em pleno ar.
Destroços do helicóptero no Jockey Clube de São Paulo. Foto: Folha de São Paulo
Lembro-me bem da primeira posse do presidente Lula. Era eu quem estava à bordo da máquina voadora, acompanhando, do alto, a comitiva do presidente desde a Granja do Torto, em Brasília, até o Congresso Nacional, onde Lula seria empossado. Era outro aparelho na época, outro comandante. Não cheguei a conhecer o colega de empresa Rafael Delgado. Quem conheço, e de perto, é o cinegrafista Alexandre “Borracha” que continua internado.
Esquerda: Rafael Delgado, piloto morto no acidente.
Direita: Alexandre Borracha, cinegrafista ainda em coma induzido.
Borracha é carioca, dono de uma ginga típica que só quem realmente veio “da gema” consegue ter. Daí vem o bom papo, a simpatia e a admiração que sempre conquistou de todos os colegas da Record Rio. Aliás, era na Record do Rio de Janeiro que Borracha trabalhava antes de alçar vôos mais altos, rumo à São Paulo.

Esquerda: Helicóptero Esquilo, que caiu em SP. Direita: Helicóptero Robson 44, usado no Rio de Janeiro.
Lembro-me bem que, na época da cobertura da posse do presidente Lula, foi o amigo Borracha, entediado por estarmos no ar esperando a comitiva se deslocar - e nada acontecia - que aceitou a sugestão de “passearmos” nos céus da capital federal em “stand-by”. Uma das imagens que marcaram minha vida profissional foi poder passar sobre o edifício que morava, estabilizar no ar, no ângulo de visão da janela da sala e, pelo telefone, dizer a minha mãe que aparecesse na janela para um “tchauzinho”. Emoção para uma mãe orgulhosa, emoção para um filho repórter que tinha “subido na vida” nas hélices do então chamado “Águia Dourada”. O Borracha estava do lado nesse momento tão simbólico na minha vida.
Antigo Helicóptero da época da posse do presidente Lula. Foto: arquivo pessoal.
Minha expectativa agora é ter qualquer outra emoção como esta, ao lado do Borracha de novo, para ter a certeza que ele escapou dessa. Se não estivesse em coma induzido certamente Borracha me diria algo do tipo “vaso ruim não quebra”!
Se o ditado for verdadeiro, desejo que esse vaso seja o pior de todos, preferencialmente de “borracha” suportando as chuvas e trovoadas quando o céu não é de brigadeiro...

Céu de São Paulo visto do helicóptero. Foto: Rosane Marques
A PM CARIOCA E A "SINGLE LADY"
10.02.2010
Imagino que a PM do Rio de Janeiro deveria ensaiar coreografias picantes e dançar no palco ao lado da cantora Beyoncé. Escolhendo bem, poderíamos até ter novos talentos revelados com farda e cassetetes na mão. Como diz a máxima imortalizada no programa humorístico da concorrente: “tô pagaaando!”
Ironias à parte, acho que foi assim que o chefe de segurança da cantora pensou quando confundiu as coisas, e trocou “bife-alí-na-mesa” com “bife à milanesa” e resolveu dar ordens à Polícia Militar carioca. O destaque está em todos os jornais e agências de notícias.
Beyoncé e Alicia Keys: gravação de clipe em comunidade carioca virou polêmica policial.
Foto: Revistas Abril
Ele mandou os Policias Militares, que faziam segurança do local onde se gravava um clipe, numa comunidade carioca, carregarem equipamentos como se fossem integrantes da produção! Não satisfeito o relato do capitão da PM que recebeu as “ordens”, conta mais: o segurança teria dito: “vocês estão latindo para a pessoa errada! Cada um de vocês aqui me custou 50 dólares pagos ao governo do estado.”
Numa parte o segurança acertou: é normal, mesmo que eventos privados em locais públicos, que demandem tempo e trabalho da segurança pública, tenham mesmo que pagar taxas à Secretaria de Segurança Pública. Isso acontece em todos os lugares do mundo. São policias que deixam o combate ao crime armado no Rio para “combater” apenas fãs “armados” com suas máquinas fotográficas. Mas o segurança-chefe errou quando deduziu que por isso poderia “mandar” nos Policiais Militares dando ordens para que carregassem grades e equipamentos. Só faltou pedir uma limonada bem gelada para a Beyoncé...
Beyoncé no palco do Rio: cantora só soube da polêmica quando voltou ao hotel.
O show hoje é em Salvador. Foto: Agência Estado.
O episódio, em minha opinião, mostra mais que um leve desentendimento que foi parar na delegacia por desacato: deixa em evidência que o chefe da segurança - um americano que fala muito bem o português porque mora em São Paulo - talvez tenha absorvido por aqui um conceito errado de que policial é lixo. Considero, inclusive, que esse não seja um pensamento do povo americano, tão obediente e disciplinado em relação a sua forte polícia.
Talvez o “chief security” já tenha sido contaminado pela mosquinha do “jeitinho brasileiro” de que aqui, tudo se resolve com o poder que emana dos mais fortes que pagam mais para os “supostos mais fracos”.
Coitadinha da Beyoncé. Não teve a mesma sorte de Madonna que passou pelo Rio, também subiu o morro, e não causou polêmica nenhuma...

Madonna e "ex" Jesus Luz. Agora ela é a "Single Lady" da história. Foto: divulgação.
VERÃO E INVERNO: TUDO NO MESMO DIA
09.02.2010
O calor é de 41 graus. Mas a tal da sensação térmica castiga mais: há quem diga que ela induz o corpo a transpirar como se fossem 51 graus. O verão no Rio de Janeiro castiga e castiga muito. Pouco tempo depois de ver pessoas usando a sombra de um poste para se proteger do sol, em um ponto de ônibus, quando ia para o aeroporto percebi: já havia chegado a hora de me afastar do calor escaldante da cidade maravilhosa para trabalhar falando de “gelo e neve” mesmo que em pleno verão brasileiro.

Vancouver: canadenes passam "calor" no inverno mais quente dos últimos 10 anos.
Não estou viajando para a capital dos esportes de inverno, mas é fácil perceber as semelhanças entre ela e o Rio de Janeiro: ambos os povos estão vivendo momentos atípicos do clima neste ano. Enquanto no Rio o calor é um dos maiores nos últimos tempos com 41 graus, em Vancouver o inverno também é o mais quente da última década com seus poucos 4,8 graus. Muita gente por lá está se abanando de calor! Mas longe disso atrapalhar a festa canadense...
A partir desta segunda-feira deixo um pouco de lado o “clima quente” do noticiário carioca para me deparar com aspéctos curiosos como este. Hora de me dedicar à cobertura deste grande evento esportivo: as Olimpíadas de Inverno de Vancouver 2010.
Redação começa a mudar de cara com novos cenários.
Uma equipe de 30 jornalistas está com um “quartel-general” montado em São Paulo para as transmissões que serão em tempo real pela Record News em nossos estúdios. Direto do Canadá nosso colegas do esporte também dão o recado ao vivo na narração das competiçoes. Vai ser um "ping-pong" (modalidade jornalística que não tem nada a ver com Vancouver) entre dois países. Nesta segunda-feira começou a cobertura oficial da Rede Record nesse evento tão "perto" e tão "longe" ao mesmo tempo.
A abertura das olimpíadas será na próxima sexta-feira e a Record News mostrará ao vivo à partir da meia-noite. De gelada mesmo, só a neve da Olimpíada. A nossa cobertura é para pegar fogo e eu vou estar lá pra colocar lenha nessa fogueira...