Sexta-Feira, 10 de Setembro de 2010
BOTO-COR-DE-ROSA: VOCÊ CONHECE?
15.01.2010

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Na lenda amazônica, de dia ele vive no Rio Negro. De noite, graças a uma transformação que só o folclore amazonense pode proporcionar, o Boto vira gente: sempre um jovem atraente, envolvente, que, assim como a sereia nos oceanos, exerce nas regiões ribeirinha o mesmo efeito; só quem em moças virgens. São “senhoritas” que acabam se entregando aos encantos do jovem mancebo.

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Ilustração: a lenda do Boto. Foto: arquivo público da amazônia.

A lenda do Boto Rosa trouxe glamour a esse “golfinho de água doce” mas também despertou o interesse de seu principal predador: o “bicho-homem”. Começou a crendice que dentes, e outras partes de seu corpo seriam verdadeiros “imãs” para atrair mulheres. Mal sabiam os criadores de tamanha falácia que essa crendice motivaria a caça e morte de muitos deles, principalmente nas décadas de 70 e 80. Vivos, esses simpáticos animais podem trazer muito mais benefícios a nossa humanidade.

A “Bototerapia” segue a mesma teoria da terapia com golfinhos ou com cavalos, bastante difundida para tratamento de crianças especias com Autismo ou Síndrome de Down. A integração com esses bichos desenvolve o afeto, a coordenação motora dessas crianças e uma melhor integração com as outras pessoas.

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Crianças especiais e os Botos: interação, equilíbrio e coordenação motora.

A terapia começou a ser testada nos Estados Unidos, na década ainda de 70, com golfinhos em cativeiro. No fundo, no fundo, explicação concreta de como isso se processa nessas crianças especiais, é coisa que até hoje não consegui explicação concreta. Talvez porque os resultados deste contato mágico, sejam muito mais o foco das pesquisas do que necessariamente o “porquê”de tudo.

Foi esse encontro mágico que pude experimentar no Rio Negro, há quase duas horas de barco de Manaus. É lá que o Rio Negro e o  Rio Ariaú se “abraçam”. O detalhe deste encontro que mais me chamou a atenção? Nenhum dos animais vive em cativeiro!

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Hotel na margem do Rio Negro: ponto de partida para o encontro com os Botos.

O projeto é mantido por doações, voluntariado de biólogos, e incentivo de um hotel de selva que fica nas proximidades, o Hotel Ariaú Towers. Ele “banca” a vinda de pelo menos quinze crianças por semana até o local do projeto. Além de transporte, as crianças e seus familiares ainda ganham o dia de folta no Hotel, com direito à piscina, almoço e lanche. 

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Base flutuante do projeto "Bototerapia" (esquerda); e plataforma flutuante para ver os Botos de perto (direita).

 Numa casa flutuante as criança são recebidas logo cedo. Os pais recebem uma palestra sobre como as melhorias são alcançadas nessas crianças e sobre o que os Botos podem fazer por elas. Depois é a hora mais esperada: em um barco menor, seguimos para uma plataforma, também flutuante,  bem no meio do Rio. A dica é fazer silêncio. Os Botos não se aproximam se houver barulho, algazarra, gritaria. O encontro só é permitido pelo IBAMA se coordenado por pessoas ligadas ao projeto.

À partir daqui, vou deixar de lado a narrativa técnica - ou os detalhes do projeto - e vou tentar descrever o que se sente quando se está na água. Aliás, entrar na água, nem sempre é garantia de que os Botos virão. Lembra que eu disse que isso acontece em pleno Rio Negro? Nada de cativeiro!  

O instrutor do meu “encontro” orienta a mim e a outras pessoas que estavam juntas no passeio que também é aberto ao turismo, como disse, desde que acompanhado por pessoas autorizadas pelo IBAMA. A primeira dica é entrar na água lentamente. Junto levamos um balde com alguns poucos peixes. Basta colocar o primeiro deles na água e esperar.... mas não muito tempo.

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Peixes "contados" para não acostumar mal os Botos. Ao lado, nossa chegada e o desembarque na plataforma.

São poucos minutos até que uma cabeça rosada aparece tímida, ainda coberta pela água escura porém limpa, no Rio Negro. Na sequência sinto um corpo que parece “emborrachado”, liso e quente passando ao lado de minhas pernas. Barbatanas macias quase que fazem cócegas nos pés! A surpresa acontece: uma boca comprida, com dentes que parecem minúsculos, emerge com olhos negros e brilhantes. A emoção é algo que não se compara. A primeira reação foi ficar estático. Depois descubro que esses bichinhos parecem sorrir ao pegar seus poucos e contados peixinhos. Não podem ser muitos para não deixa-los mal acostumados, com preguiça de pescar! Demora pouco para estarmos familiarizados entre pulos dos 5 botos que se aproximaram.

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Sequência de saltos, contato próximo e "peixinhos" para os Botos.

Laço meus braços ao redor de um deles que, como se estivesse me abraçando também, ergue-se sobre a água como se pudesse ficar em pé! O movimento das mãos com os braços erguidos é interpretado como se alguma “guloseima” estivesse sendo oferecida. Sou advertido pelo guia: ter um Boto confundindo sua mão com um peixe pode ser uma experiência arriscada. Mas o contato dócil me cega. Já com as mão baixadas, cada vez os toco mais. Sinto a textura de seu “bico”... de sua pele. É incrível como, em alguns momentos, eles permitem serem abraçados por  nós humanos.

Meu encontro durou pouco mais que vinte minutos. Fico estasiado quase que me recusando a sair da água depois de tanto afeto. Naquela hora consigo entender o que isso pode mudar na vida de crianças especiais.

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Abraço de Boto: emoção indescritível para turitas e biólogos.

Voltei para a sede do projeto calado no pequeno barco. No meu rosto só o vento, o barulho do motor e da água. Ma minha mente o agradecimento a Deus por aqueles bichinhos serem apenas “irracionais”. Será mesmo? O argumento da “irracionalidade” é incontestável: que espécie racional teria nos humanos, seus maiores algozes, também seus melhores amigos e ainda tratando os “filhotes” de uma espécie tão carniceira como a nossa?

O registro fotográfico não é nada perto do registro emocional que levamos.

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TERREMOTO NO HAITI
13.01.2010

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ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 14/01/2010 às 14h32

Uma dedução lógica que faz pensarmos. Ela veio de uma leitora aqui do blog, a Alessandra Marcelino: depois dessa tragédia no Haiti é que vemos que nosso país ainda é privilegiado. Nossas tragédias, como a de Angra dos Reis, agora parecem pequenas...

Lembrei disso ainda mais hoje, quinta-feira, quando vi a notícias de que bombeiros do Rio de Janeiro vão ajudar no resgate de vítimas na América Central. Só para lembrar, a tragédia de Angra aconteceu no primeiro dia de janeiro. As buscas duraram quase duas semanas. Ou seja: quanto tempo esses homens tiveram para descansar? A bravura dos bombeiros cariocas vai estar no RJ RECORD de hoje.

Outro ponto que achei interessante foi um outro comentário, aqui também no blog, de um leitor que questionou se o Brasil tem "cacife" para ajudar, enviando tantas tropas e recursos ao Haiti. O que você acha disso?

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Resgate de mortos e feridos: cenas que bombeiros cariocas vão encontrar.
Foto: Agência EFE.

Eu, honestamente, respeito a opinião alheia, mas acho um raciocínio elementar demais. Nessas horas acredito que o que vale, em primeiro lugar, é a solidariedade. Se isso não for o suficiente e a questão "recursos gastos" falar mais alto, faço um alerta que esse raciocío conduz a um erro! 

Ora, é fato que cada vez que o Brasil ajuda - desde que começou a enviar tropas ao Haiti - aumenta seu prestígio junto à comunidade internacional. Um destes organismos é a própria ONU, onde o Brasil lutava recentemente por uma cadeira no Conselho de Segurança da entidade. Não precisa dizer muito. Para quem não acredita em solidariedade "nua e crua" (ok, as vezes eu também não acredito...) esse argumento pode fazer muita diferença. Indiretamente isso tudo volta, mesmo para os menos espiritualistas...   

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POSTAGEM ORIGINAL:

A notícia “tremeu” nossos sentimentos mais escondidos: o medo de perder pessoas queridas, mesmo que elas estejam longe de nós. As imagens do terremoto no Haiti mostram destruição, pânico. Milhares de pessoas feridas e outras mortas. A pior catástrofe que este pequeno país da América Central já viveu. 

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Resgate de sobreviventes no Haiti. Foto: Site R7.

O Rio de janeiro também acordou hoje inquieto. Também estavam na capital, Porto Príncipe, muitos cariocas. Entre eles, o filho um dos fundadores do VIVA RIO, André D’Ávila. O pai, Rubens César Fernandes, que já mostramos e entrevistamos várias vezes em nossos jornais, conseguiu contato telefônico com o filho ontem mesmo. Os dez integrantes do grupo que faz parte do “braço” carioca que presta assistência à moradores locais estão bem.

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Fundador do "VIVA RIO": alívio ao saber notícias do filho.

A perda maior para nós brasileiros, foi da pediatra e sanitarista Zilda Arns, que coordenava internacionalmente a Pastoral da Criança. Para ser breve e descrever ao máximo a importância do trabalho desta mulher, basta dizer que ela já foi uma indicada ao Prêmio Nobel da Paz.

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Zilda Arns: indicada para o Prêmio Nobel da Paz. Foto: R7.

Ainda esta semana, na segunda-feira para ser mais preciso, mostramos no RJ RECORD um grupo de 20 brasileiros que também seguia para a ajuda humanitária no país. O grupo nem chegou a pousar em Porto Príncipe. Todos voltaram ao Brasil. Tudo por causa do terremoto de magnitude 7 na escala Richter, que, diga-se de passagem, vai até o grau 9 de destruição máxima e total. Os brasileiros mortos são do exército brasileiro, mas de um grupo enviado anteriormente, de 150 pessoas.

Mas você entende porque havia tanta gente de fora, tantas pessoas que estavam no Haiti com apoio da ONU?

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Porque o Haiti tinha missões humanitárias - A confusão por lá começou em 2001, quando Jean-Bertrand Aristide venceu as eleições presidenciais. Só que menos de 10% da população votou. Com números assim, a oposição negava-se a aceitar o resultado, criando um impasse. No ano de 2004, por meio de negociações mediadas pela comunidade internacional, Aristide aceitou dissolver seu gabinete ministerial, mas não deixou a presidência. A oposição, claro, continuou insatisfeita, e a violência se espalhou pelo país.

As forças rebeldes começaram a ocupar todas as cidades importantes do país, quase sem nenhuma resistência. França e Estados Unidos culpavam o "presidente" Aristide pela onda de violência. O pedido internacional era pela volta e manutenção da democracia no país. A tentativa era impedir o surgimento de um precedente a justificar golpes contra governos democraticamente constituídos na região.

As pressões foram demais e Aristide renunciou. O Conselho de Segurança das Nações Unidas criou então uma força internacional para assegurar a ordem e a paz no Haiti.

O outro lado da história - Aristide denuncia que foi sequestrado por fuzileiros norte-americanos, sendo então forçado a renunciar por um grupo de haitianos e civis norte-americanos. Os estados Unidos negam de "pés-juntos" essa informação até hoje. Esta ação também teria tido o apoio do governo francês.

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Onde o Brasil entra nessa? - Por ter o maior contingente, o Brasil assumiu o cargo de coordenação da recém-formada Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti, ou simplesmente "Minustah" - sigla em francês, a língua falada no país.  

O QUENATO VALE NOSSO POVO,
12.01.2010

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Hoje nossa rotina começa a voltar ao normal. Para quem mora em áreas atingidas pelas chuvas a “rotina” ainda é uma palavra distante. Tudo ainda é desencontrado e o relato que tenho aqui não é técnico muito menos informativo com costumo fazer no ar. O que conto agora é experiência pessoal.

 A TV em alta definição ainda não alcança dor, emoção, muito menos o cheiro que exala o Morro do Bumba, em Niterói. Além de ver a dor das pessoas ainda é preciso lidar com o efeito “choque”. Muitas pessoas ainda não percebem que o ocorrido foi bem mais trágico do que parece em um primeiro momento. Entrevistei pessoas que sorriam, diante da câmera falando de mortes. Frieza? Certamente não. O caso é que, para muita gente, a “ficha ainda não caiu” em relação a tudo que foi perdido. Acredito que isso seja normal.

Quando perdi meu pai, logo após o enterro, fui direto para a casa onde ele morava em Brasília. Para mim parecia que tudo era um pesadelo que iria acabar. Em casa, sentado na cama dele, imaginava que a qualquer momento ele entraria pela porta e tudo seria apenas u trágico pesadelo. Esse foi o meu efeito da “ficha que não caiu”. Agora me pego imaginando a situação de pessoas que não tem para qual casa voltar depois de um enterro da família toda de uma única vez.

Uma menina que entrevistei sorria porque estava diante de uma câmera. O foco da reportagem era a reação de quem estava alí apenas “assistindo” o rescaldo da tragédia. No meio da entrevista perguntei se ela conhecia alguém do morro. Ela respondeu que sim: “o meu namorado morreu na tragédia e o corpo ainda não foi encontrado.” Na hora, com câmera ligada e tudo, perguntei: “e você está me contando isso tudo rindo?” Na hora o  sorriso dela se fechou. Fiquei com minha consciência pesada pela pergunta, sabia?  Não era maldade da adolescente. Era o tal do efeito da “ficha que não caiu”.

Todos naquele lugar são vítimas de um mal maior que a tragédia. São vítimas da falta de acesso à informação; à renda; e a uma vida mais digna. Gente que comprou uma casa por 26 mil reais e agora só via lama onde a construção ficava. Poucos são os que dizem que sabiam que no Bumba havia algum risco de deslizamento ou que sequer tinham conhecimento que no alto do morro já havia funcionado um lixão.

Agora os corpos se misturam ao lixo. Seis dias depois da catástrofe muitos deles já estão como todo o material que foi enterrado: deteriorados. A identificação começa a tender ao impossível. É chocante e forte falar sobre isso mas é um enfoque que precisa ser exposto: agora o que se encontra são pernas, braços... corpos mutilados. Muitos pais reconhecem seus filhos com rostos desfiguradas. A frágil pele humana não resiste ao leito de um terreno que já é um adubo por si só.

Em uma das cenas que presenciei um bombeiro tentava puxar um cadáver da lama pelos braços. Tudo que ele conseguiu resgatar foram justamente os braços, que se soltaram com num apelo tardio por redenção. Cenas fortes de serem vistas, impossíveis de serem narradas na televisão. São histórias que não tenho a menor vergonha de contar: me levaram às lágrimas em vários momentos dessa cobertura. Por que contar aqui então? Não é morbidez. Queria que gerações e gerações de prefeitos que passaram por Niterói -  muitos deles já mortos e enterrados com mais dignidade -  pudessem ver o que eu vi. Queria ver lágrimas nos rostos deles com esse relato.   

O povo do morro do Bumba morreu tratado pelos nossos governantes exatamente como tratamos o que os cobriu até a asfixia total de suas esperanças: lixo.

A BOLA DA VEZ É... SERRINHA
11.01.2010

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ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 12/01/2009 às 14h15

Foi só a gente falar sobre invasão de comunidades cariocas que a "nova-bola-da-vez" foi uma comunidade em Niterói. O que há em comum entre o caso da "Serrinha", que tratamos ontem, e o caso da comunidade "Buraco de Boi" em Niterói? Os dois são casos de traficantes em desespero procurando novos mercados!

Não precisa ser "bidú" para adivinhar ou prever que esses casos de invasões por facções rivais vão ter um aumento nos próximos meses. Claro! Pense comigo: as unidades pacificadoras estão tirando mercado em pontos importantes do Rio de Janeiro, mais precisamente na Zona Sul e Zona Oeste. A Zona Norte também já começa a sentir os efeitos dessa nova política de ocupação. Ou seja, a inteligência da polícia agora já pode prever onde esses problemas vão acontecer. A grande questão é: já há planejamento para lidar com essa nova realidade que o Rio enfrenta onde até a ponte Rio-Niterói fica fechada? 

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Ponte Rio-Niterói:
duas interdições em menos de 2 horas. Foto: R7

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POSTAGEM ORIGINAL:

A bola da vez é a Serrinha, em Madureira, zona norte carioca. O morro de onde saiu a tradicionalíssima Império Serrano tem vivido sob a dinastia do medo. Um império de luta e tensão que nem "João do Rio" seria capaz de imaginar em seus contos. E falar “bola da vez” não é banalizar, não é debochar. É chamar a atenção do cidadão carioca para uma realidade que se repete sempre.

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Império Serrano e seu berço na Serinha. Foto: Império Serrano.

A cada momento é uma nova comunidade que é alvo de invasores em busca de melhores pontos de venda de drogas. O saldo é quase sempre tiroteio e mortes, como aconteceu no fim de semana.

De acordo com a polícia, traficantes do morro do Cajueiro receberam ajuda de compartas da Vila Cruzeiro e partiram em um “bonde de ataque” deixando medo e morte por onde passaram até a Serrinha: das quatro pessoas mortas este fim de semana, nenhuma, absolutamente NENHUMA, tinha qualquer participação no ataque ou na defesa do morro. Muito pelo contrário, sequer estavam nele. Um texto com cara de “dja-vu” que me revoltou ao lê-lo:

“OS BANDIDOS TROCARAM TIROS EM
VÁRIOS PONTOS DA REGIÃO./
DUAS PESSOAS, QUE NÃO TINHAM NADA A
VER COM A AÇÃO DOS BANDIDOS
FICARAM FERIDAS E QUATRO PESSOAS
MORRERAM./
DURANTE A MADRUGADA, HOUVE
REFORÇO DO POLICIAMENTO NOS
ACESSOS AO COMPLEXO DO JURAMENTO,
QUE FICA NO LOCAL DOS CONFRONTOS./
DE ACORDO COM A POLÍCIA, PODE HAVER
CORPOS NO ALTO DO MORRO DA SERRINHA QUE AINDA NÃO FORAM ENCONTRADOS”.//

Este foi o texto do RJ Record que apresentei neste sábado. Observe bem a última frase: a polícia acredita que “PODE HAVER CORPOS NO ALTO DO MORRO DA SERRINHA.” E depois a polícia carioca consegue entrar em todos os bairros, todas as comunidades? Acho que não. Caso contrário por que a polícia estaria “desconfiada” de haver mais mortos?

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Claro que isso revela uma realidade que poucos integrantes da nossa segurança pública tem coragem de admitir: há sim regiões da nossa cidade onde a polícia não entra. Não adianta fingirmos, não adianta fazermos vista grossa. E a culpa não é da PM por isso...

As unidades pacificadoras são um excelente exemplo que vem mostrando bons resultados. Mas ainda falta muito numa capital que tem mais mil favelas espalhadas, onde justamente a polícia ainda tem dificuldade de chegar.