BLOG - Fábio Ramalho
Sexta-Feira, 30 de Julho de 2010
PODE FALAR NOME DE SANTO NA RECORD?
20.01.2010

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ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 21/01/2010 às 14h20

Passado o feriado de São Sebastião - sem problemas com o padroeiro do Rio de Janeiro - agradeço os comentários e a discussão que cresceu de forma produtiva. Aliás, acho muito bacana quando esses assuntos - que muita gente pensa que são tabús - acabam sendo discutidos e conversados sem pisarmos em ovos.

Se ainda houver pessoas que pensam pequeno, que ainda deixam seus fantasmas pessoais o assombrarem, - os mais realistas que o rei, lembra? - tenho uma boa notícia: aqui eles já foram exorcizados! 

Quando o assunto é discutido, nossas idéias são trocadas, as mentes evoluem. E para mostrar isso, proponho um desafio para quem mora no Rio de Janeiro: Como chamaríamos no ar:

A Avenida Nossa Senhora de Copacabana?

A Avenida Dom Helder Câmara?

A Praia do Diabo?

E a Praia da Macumba no Recreio então, hein?

Um abraço a todos!

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POSTAGEM ORIGINAL:

Todo ano, basta aparecer um feriado religioso, como o de hoje, dia de São Sebastião - padroeiro do Rio de Janeiro - que as pessoas perguntam. Pode falar isso na Record? Por mais que aprendamos que não se responde uma pergunta com outra, a minha reação é imediata: e porque não poderia?

Lembro-me que em 2002, quando ainda era repórter do "Fala Brasil" em Brasília, fui escalado nas nossas entradas ao vivo de todas as manhãs, para estar na Esplanada dos Ministérios, onde acontecia, naquele dia, o tradicional tapete de serragem de Corpus Christi. Eram quase 3 quilômetros de gramado com serragem pintada, num trabalho artesanal, lento e detalhado, que formava imagens de passagens bíblicas importantes. Como não mostrar isso estando alí, no meio da celebração católica?

 

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Tapete de serragem e tinta em Brasília:
tradição mostrada ao vivo. Foto: Walter Campanato. 

A primeira reação da equipe técnica foi retirar a câmera do ângulo de visão da festa. Quando cheguei estava tudo devidamente montado bem longe, de forma que o canário não fosse nada mais que uma série de prédios ministeriais. Quando cheguei, a explicação era que aquilo não poderia ser mostrado na televisão porque a Record “era uma emissora evangélica”.

Apesar de, como disse, ter pouco tempo de casa, algo me fez não engolir aquele argumento. Questionei pelo rádio diretamente com o editor chefe do jornal. Ele achou justo o pleito: porque não mostrar uma tradição cultural independentemente de qual religião compunha aquela tradição? A partir daí o que ouvi no rádio foi um período de silêncio que não passou de 5 minutos mas que, para mim, parecia de 5 horas. Acredito eu que o questionamento tenha subido às mais altas instâncias do jornalismo da emissora. Mas a resposta veio: o link estava autorizado, com tapete de Corpus Christi e tudo mais.

Percebi naquele momento que a Record, antes de qualquer outra coisa, se mostrava uma emissora de televisão e não uma igreja, como muita gente ainda insiste em querer ou "forçar" ver hoje em dia. O tempo passou e várias outras datas comemorativas ou importantes para nossa cultura também estavam na nossa tela.

A vinda do Papa Bento XVI ao Brasil, em março de 2008, foi outro exemplo disso. A Record mostrou, cobriu e transmitiu ao vivo o papa em São Paulo e em todo o país. Me refiro à São Paulo especificamente porque foi justamente esta transmissão que garantiu um primeiro lugar a Record, ficando inclusive na frente da Rede Globo, tradicionalmente “católica”.

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Papa Bento XVI recebido pelo presidente e primeira dama:
cobertura da Rede Record. Foto: Agência Brasil.

Essa é a minha história com a Rede Record. A história do que pode e o que “não poderia” - teoricamente - ser dito no ar. Essa história me vem a mente todas as vezes que me perguntam se posso falar no ar que hoje é feriado de São Sebastião, como inclusive já o fiz hoje no "Record Notícias". Daria para deixar de dizer isso na hora de explicar o porquê do Rio ter praias lotadas numa quinta-feira de 39 graus à sombra?

Meu aprendizado em relação à Record foi na prática. Não li manuais, não busquei orientações religiosas, nunca me perguntaram qual era minha crença, credo ou sequer fui "proibido" de tocar em algum assunto. Talvez seja isso que me tenha feito aprender a vestir a camisa de onde trabalho. Talvez isso tenha me feito descobrir que, as vezes, os nossos maiores algozes somos nós mesmos, com o nosso “achismo” antes de perguntar.

Foi assim que fiz aquele primeiro link que a Record teve no "Fala Brasil" mostrando o dia de Corpus Christi. Foi assim que aprendi a questionar sempre, antes de tomar como verdadeiro o que eu simplesmente poderia “achar”. Foi a hora de exorcizar os medos e nossos preconceitos - muitas vezes inconscientes - e nossa tendência de acharmos que somos “mais realistas que o rei”.



Comentários

Gilberto Massis Carlos - gilcarlos@uol.com.br - 20/01/2010
Quebra de tabús e nada de demagogia. Fábio, acho que o maior passo é voc~e poder tocar nesse assunto com tranquilidade e explicar o que se passa. Acredito no seu relato. Parabéns pela coragem!
Roberta - roangel23@hotmail.com - 20/01/2010
Fábio, procurei no wikipédia e vi que a informação confere: a Record inclusive participou do pool de emissoras que cobriram a vinda do Papa. É verdade que houve orientação para não chamar bento XVI de sua santidade?
Gilson Lima - gilsonmala@gmail.com - 20/01/2010
Fábio, surpreendente ler sobre isos num blog de alguém da Record e hospedado em um site da Record! Muito interessante mostrar este outro lado da moeda.
Fabio Ramalho - fabioramalho@terra.com.br - 20/01/2010

 

RESPOSTAS:

 

GILSON - Não pode haver assunto tabú para uma emissora que tem como lemas Jornalismo de primeira e a caminho da liderança. Esse assunto não é tabú, não é esqueleto no armário. Quem bom que viu isso positivamente!

 

ROBERTA - Mas como chamar de santidade uma figura religiosa que, apesar de importantíssima, não representa liderança em fé para 100% dos brasileiros? Se pararmos para pensar, o correto é trata-lo como a Record o tratou: como Papa, líder da igreja católica, e não como líder religioso de todo o país. Essas orientações, se existiram mesmo como vi no wikipédia também, não me pareceram arbitrariedades. Apenas cuidado para se evitar excessos. Cobertura limpa, imparcial não diz que o papa é santidade. Quando muito diz que ele é considerado santidade por muitos católicos. Ponto. Percebe a diferença?

 

GILBERTO - Obrigado pela confiança! É asism que a gente cresce. E esse crescimento é pessoal, meu também, o que vou levar para qualquer lugar que venha a trabalhar no futuro!

Marco Paulo - Rocinha - mpcosta@uol.com.br - 20/01/2010
Show de bola falar disso. Tenho parentes que já trabalharam na Record e me diziam coisas parecidas, hoje vejo que, vindo de você, dá para acreditar. Bom feriado de SÃO SEBASTIÃO!
Mirian Barbosa - mirian.barbosa@yahoo.com.br - 20/01/2010
Q VERGONHA O NOSSO BRASIL DE PAPELÃO ESTÁ PASSANDO NESTE FINAL E INICIO DE ano hein!!???.....pense nesta frase: O MINISTÉRIO DA ÉTICA E RESPEITO ADVERTI:CUMPRIR PROMESSAS FEITAS EM ANO ELEITORAL FAZ BEM A POPULAÇAÕ E LIVRA SENHORES REPRESENTANTES POLITICOS DESTA VERGONHA INTERNACIONAL....."
Alessa Marcelino - recadosdalelleca@gmail.com - 20/01/2010
Olá mais uma vez Ramalho! Que bom poder ouvir esta explanação, não errei a palavra não! Foi explanação mesmo, que quis dizer! Principalmente vindo de alguém que trabalha na emissora. Neste post você deixou bem claro, o que é trabalhar com profissionalismo. Realmente, é preciso que as pessoas entendam e saiba separar, o que é jornalismo e o que é crença. Tenho notado que ao longo dos anos a TV Record tem sim, se empenhado em levar ao público de todas as classes e independentes de religião, aquilo que ela está mostrando atualmente que sabe fazer: um jornalismo verdade! Encerrando: Eu brinquei com você no Orkut, que hoje é feriado no Rio, mas que jornalista tem que trabalhar né? Aqui em Niterói, não é. Mas é aniversário do meu pai. Adivinha o nome dele? Te dou um doce se acertar! Rs Vejo você mais tarde no RJR. Abraços!
Mirian Barbosa - mirian.barbosa@yahoo.com.br - 20/01/2010
olá!!!!!!!!!!!!vivemos em um país democratico....,por isso temos o direito de expressão e crença no q acharmos mas confiavel é isso e ponto!!!!como o meio d comunicação de tamanha grandeza q é o televisionado ñ pode nunca se prender a esses detalhes,principalmente a excelente equipe de jornalismo q hoje compoe o jornalismo da tv rede record,ñ acha?????acredito no bom senso de todos os profissionais da mesma"afinal religião e futebol ñ se discute e sim se acredita e torce"bjkitas!!
ELIZA MALISZEWSKI - elizaxdx@hotmail.com - 20/01/2010
Isto é fazer jornalismo. Isenção acima de tudo. Se um profissional de comunicação começar a escolher que assuntos publicar ou divulgar a imprensa estará perdida, ou mais do que está. Esperamos que estas "liberdades" não terminem com as restrições que o governo deseja fazer.
Bruno - xxx@xxx.com.br - 20/01/2010
Chamar o papa de Sua Santidade não significa dizer que ele é o líder religioso de um país. E lembro que existia sim essa orientação para não mostrar imagens de santos, quando trabalhei na TV Record. Ainda bem que tudo mudou, então. Um viva para o jornalismo que, pelo que parece, prevaleceu.
Fabio Ramalho - fabioramalho@terra.com.br - 20/01/2010

 

RESPOSTAS:

 

BRUNO - O raciocínio é que ele só é santidade para aqueles que professam aquela fé. Não poderia chamar de santidade quem não representa santidade a quem não é católico. Não duvido que isso tenha acontecido, mas não podemos duvidar que progressos nesse sentido e na mentalidade da emissora também aconteçam. Valeu pelo comentário!

 

ELIZA E MIRIAN - Obrigado e siabam que assino embaixo!

 

ALESSANDRA - Um comentário de um colega no twitter expressou bem esse sentimento: muita gente ainda confunde jornalismo com idealismo. Show de bola!

Aline Bastos - alybastos@yahoo.com.br - 20/01/2010
Concordo, a Record é uma emissora e não uma igreja. Parabéns pelo seu profissionalismo. Bjs
Leonardo - ldias@hotmail.com - 21/01/2010
Fábio, ese tipo de discussão é muito mais produtivo do que imaginamos. Isso tira um possível ranso que muita gente pode ter de um momento que não pertence mais a Rede Record ou mesmo a Igreja Universal. Não sou seguidor, não sigo cultos, mas como estudioso que sou e interessado por estes assuntos, consigo ter uma visão imparcial da Record desde a cobertura da vinda do Papa. Parabéns por tocar num assunto que muita gente tem medo de falar... e mais, por explicar o que muitos sempre quizeram saber mas não tinham a quem perguntar.
Júnior - Pavuna - jrcampos2@uol.com.br - 21/01/2010
Fábio, porque essa explicação não está no R7? Tenho certeza que daria um excelente assunto para disucssão em sala de aula. Sou professor e queria pedir para mostrar seu texto em sala de aula. Dou aula sobre televisão na Estácio de Sá.
Alessa Marcelino - recadosdalelleca@gmail.com - 21/01/2010
Ramalho, eu vejo que a conversa esquentou no blog! Rs Puxa, assim com esse desafio você me complica! Rs Uma pena que ainda existam pessoas que, como você mesmo disse pensam pequeno. É como diz o antigo ditado. E bota antigo nisso: Religião, Política e Futebol, não se discutem! E para isso existe o livre arbítrio. Um depoimento pessoal: Eu sou católica, praticante desde que nasci. Sou sobrinha de padre. Tenho o papa Bento XVI como o chefe da Igreja que eu acredito. Mas nem por isso, me dá o direito de achar que todos têm que seguir a mesma crença. Cada um segue o que acha melhor para si. Agora, o que não se pode é confundir as coisas e ser hipócrita!
Alessa Marcelino - recadosdalelleca@gmail.com - 21/01/2010
Continuando... Imagina, se meu chefe é evangélico eu sou católica, então vou seguir a religião dele, só para agradá-lo? Profissão é uma coisa e religião é outra e ambos seguem por caminhos totalmente diferentes! Se cada pessoa fosse admitida numa determinada profissão pela crença que segue? Rs Com certeza haveria muito mais gente desempregada neste país, onde existem várias crenças: católicos, espíritas, evangélicos, umbandistas, sei lá quantas! Nem sei se você concorda! Encerrando... Apesar de não morar no Rio, acho duvidoso alguém conseguir né, Ramalho passar por esse desafio. Só acho que você deveria ter acrescentado mais um item, sabe qual é: O mar da hipocrisia! Que tal, hein? Com certeza muita gente seria arrastada pelas ondas! Vejo você no RJR! Até!
Luciane Tinoco - luvic07@yahoo.com.br - 22/01/2010
Fábio, estive um pouquinho ausente,pois estava participando de um processo seletivo, mas estou de volta. Muito bom o post, isso precisava mesmo ser falado e discutido, e aqui no blog, as pessoas são inteligentes e educadas, sabem expressar suas opiniões com respeito. Tudo isso que você escreveu mostra o que é o jornalismo imparcial, jornalismo de verdade, o jornalismo feito para cumprir o seu dever que é passar a informação. A Record só tem a ganhar com isso porque sabemos que outras emissoras usam seu jornalismo para influenciar os telespectadores a respeito de tudo, pricipalmente política e religião. Um abraço
Ruan Silva - ruan-rio2009@hotmail.com - 22/01/2010
Para mim esse negócio de não falar de santos,evangélicos e etc... não há nenhum problema na TV.



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